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Uma noite, estava no Parque eduardo VII. Era meia noite. Mais uma noite de procura de sexo. Atrás de uma árvore, um rapaz ajoelhado aos pés de outro. Estou mais em cima a ver. Vejo chegar um outro rapaz. Olha para mim. Olho para ele. Ele junta-se à árvore, formando um trio com os outros dois. Aproximo-me também. Estamos três em pé e um de joelhos. O rapaz olha para mim. Beija-me. Ficamos ali num beijo ignorando os outros. Aproximam-se mais um. Somos cinco. O rapaz pega na minha mão e leva-me dali. Percebo que quer estar apenas comigo. Atravessamos árvores, à procura de um sítio para estamos apenas os dois. Ele puxa-me pela mão. Sinto a sua mão tocar a minha. Aquela mão desconhecida agarra a minha. Sinto o calor duma mão que deseja estar apenas comigo. E de repente, estar ali de mão dada é tudo. Na minha cabeça tudo o resto deixa de fazer sentido. Os rapazes ali de joelhos, o sexo, as calças, as braguilhas, o sexo oral, a excitação, o orgasmno. Nada faz sentido. A única coisa que sinto é aquela mão a tocar na minha. E penso que afinal o que procuro não é sexo, mas um afecto. Procuro um carinho. Procuro atenção. Procuro ser desejado. procuro sentir-me importante para alguém. E talvez a cada estranho que procuro para sexo, o que procuro é apenas atenção e não o sexo em si. Nunca mais esqueci essa noite de mão dada a um estranho que desconheço o nome, mas que por momentos me fez sentir tão importante e me fez perceber que aquilo que procuro é afecto.
